OSASCO, SP - O primeiro levantamento feito pelos peritos do Instituto de Criminalstica de Osasco no local da tragdia aponta para uma provvel negligncia da direo do Osasco Plaza Shopping. Como antecipou o JORNAL DO BRASIL, as exploses foram provocadas por vazamento de gs liquefeito de petrleo (GLP, gs de cozinha) numa tubulao subterrnea que passava por dentro de uma galeria - conhecida por caixa perdida - construda  revelia do projeto original e que se estendia, entre o piso e o aterro, por toda a estrutura do shopping. Os indcios constatados pelos peritos derrubam a verso do superintendente do shopping, David Rocha que, anteontem, garantia que a rede de gs de cozinha era externa.

Segundo os peritos, o gs foi vazando ao longo do tempo e formando bolses na rea subterrnea, que no tinha ventilao. Houve pelo menos dois locais em que as quatro exploses foram mais fortes. O primeiro foi na casa de mquinas, a seis metros da galeria onde ficam os botijes. O segundo, em baixo da loja Amor aos Pedaos, na Praa da Alimentao, atingindo, em seguida, uma rea de cerca de mil metros quadrados.

Os peritos encontraram no local parte de uma rede de tubulao que teria se rompido e provocado o vazamento. "Essa conexo deveria ter sido melhor elaborada", disse o perito Celso Rodrigues Maimone.

Apesar dos indcios de negligncia, os peritos tm evitado acusaes precipitadas. O chefe da equipe, Ronaldo Egydio dos Santos, afirmou, no entanto, que a rede de tubulao no foi feita pela Construtora Wyslling Gomes. "Ns precisamos analisar as plantas para ver de quem  a responsabilidade", diz Ronaldo, que j descarta a possibilidade das exploses terem sido provocadas por gs metano - que se acumula em decorrncia de matria orgnica em decomposio -, conforme a suspeita levantada no dia da tragdia.

Dvida - "Temos quase certeza de que foi o GLP", afirmou. A dvida, no entanto, ser tirada hoje por uma percia a ser feita por tcnicos da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), que ontem coletaram amostras de gs na rea atingida.

A rede de distribuio do gs sai de uma galeria construda na lateral do prdio - de frente para a Rua Batista de Azevedo -, em baixo do estacionamento. A tubulao tem uma elevao pelas paredes externas e depois segue por dentro da laje por uma extenso de 60 metros at o centro do shopping. Partem desse entroncamento outros ramais de tubulao que abastecem os comerciantes da rea mais atingida pelas exploses.

O mais impressionante  que a concentrao de gs, apesar das sucessivas queixas de forte cheiro h vrios dias, no foi detecada pela segurana do shopping, pela fiscalizao da prefeitura e nem pelo Corpo de Bombeiros que, segundo os peritos, estiveram no local h um ms e nada encontraram.

" bvio que houve falha na manuteno", disse um dos peritos. Freqentadores e lojistas do shopping fizeram vrias denncias e nenhuma delas foi confirmada. Os peritos explicaram ontem que a tragdia poderia ter sido bem maior:  que o gs continuaria se acumulando e, como a laje oca subterrnea se estende por toda a estrutura da obra, as exploses seriam maiores e poderiam ter matado mais gente.

A provvel causa da combusto foi uma fasca que partiu da casa das mquinas, provocada, segundo os peritos, por um interruptor ou um isqueiro. No exato local onde se supe ter comeado a tragdia foi encontrado o corpo de um funcionrio da rea de segurana, que os peritos supem ter sido a primeira vtima da tragtdia. "O problema  que a distribuio do GLP  feita por forte presso e quando h qualquer vazamento, por menor que seja a fresta, ele vai se acumulando e formando bolses", diz Celso Maimone.

O dia de ontem foi marcado por informaes desencontradas sobre nmeros de vtimas fatais na tragdia de Osasco. A duplicidade de registro em hospitais e no IML e a confuso com os nomes fez com que o nmero de mortos oscilasse entre 37 e 55. No final da tarde a Defesa Civil e o IML de Osasco confirmavam apenas 37 mortes.
